sexta-feira, 4 de março de 2011

Proposta de redação - Avançado de cinema

Caríssimos foliões do conhecimento,
Conforme prometido, vai aqui a proposta de redação que encerra o primeiro ciclo temático do nosso Curso Avançado de Cinema!
Façam bom proveito!
Abraço!

Bechara
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Curso Avançado de Cinema – Ensino Médio

ORIENTAÇÃO GERAL: LEIA ATENTAMENTE.
Tema: O tema da redação é o Capitalismo.
Coletânea: É um conjunto de textos de natureza diversa que serve de subsídio para a sua redação. Sugerimos que você leia toda a coletânea para depois selecionar os elementos que julgar pertinentes à elaboração da proposta. Um bom aproveitamento da coletânea não significa referência a todos os textos. Esperamos, isso sim, que os elementos selecionados sejam articulados com a sua experiência de leitura e reflexão. Se desejar, você pode valer-se também de elementos presentes nos Filmes apresentados.
ATENÇÃO – Sua redação será anulada se você:
a) fugir ao recorte do tema; b) desconsiderar a coletânea; c) não atender ao tipo de texto da proposta.

Coletânea:

1. O homem, entretanto, tem necessidade quase constante da ajuda dos semelhantes, e é inútil esperar esta ajuda simplesmente da benevolência alheia. Ele terá maior probabilidade de obter o que quer, se conseguir interessar a seu favor a auto-estima dos outros, mostrando-lhes que é vantajoso para eles fazer-lhe ou dar-lhe aquilo de que ele precisa. É isto o que faz toda pessoa que propõe um negócio a outra. Dê-me aquilo que eu quero, e você terá isto aqui, que você quer — esse é o significado de qualquer oferta desse tipo; e é dessa forma que obtemos uns dos outros a grande maioria dos serviços de que necessitamos. Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos nosso jantar, mas da consideração que eles têm pelo seu próprio interesse. Dirigimo-nos não à sua humanidade, mas à sua auto-estima, e nunca lhes falamos das nossas próprias necessidades, mas das vantagens que advirão para eles.
(...)
Ao perseguir seus próprios interesses, o indivíduo muitas vezes promove o interesse da sociedade muito mais eficazmente do que quando tenciona realmente promovê-lo. Nunca ouvi dizer que tenham realizado grandes coisas para o país aqueles que simulam exercer o comércio visando ao bem público.
(Adam Smith, A Riqueza das nações, 1776)


2. Não estaria na hora de moralizar o capitalismo? No auge da crise, essa indagação foi levantada pelos nossos dirigentes, por Nicolas Sarkozy em primeiro lugar, ou seja, por aqueles que se dedicavam anteriormente a uma apologia inconsiderada do liberalismo, o qual supostamente representaria o “final (feliz) da história”.
Formulada dessa maneira, a questão fica enviesada: se ele precisa ser moralizado, é porque o capitalismo é imoral; se isso pode ser feito, é porque ele não é intrinsecamente imoral em suas estruturas. Apenas os seus excessos seriam questionados.
(...)
De fato, a moralização do capitalismo revela-se rigorosamente impossível, já que este, que é imoral em si, se põe a serviço de alguns, instrumentalizando os trabalhadores e negando sua autonomia. Exigir sua moralização deveria conduzir, na realidade, a exigir sua supressão, por mais árdua que seja essa tarefa.
(Yvon Quiniou -filósofo, É possível moralizar o capitalismo?, Le Monde diplomatique, 1º de julho de 2010)


3. Eram os dois homens de Madame de Trèves – o marido, conde de Trèves, descendente dos reis de Cândia, e o amante, o terrível banqueiro judeu, David Efraim. E tão enfronhadamente assaltavam o meu Príncipe que nem me reconheceram, ambos num aperto de mão mole e vago me trataram pôr “caro conde”! Num relance, rebuscando charutos sobre a mesa de limoeiro, compreendi que se tramava a Companhia das Esmeraldas da Birmânia, medonha empresa em que cintilavam milhões, e para que os dois confederados de bolsa e de alcova, desde o começo do ano, pediam o nome, a infância, o dinheiro de Jacinto. Ele resistira, no enfado dos negócios, desconfiado daquelas esmeraldas soterradas num vale da Ásia. E agora o conde de Trèves, um homem esgrouviado, de face rechupada, eriçada de barba rala, sob uma fronte rotunda e amarela como um melão, assegurava ao meu pobre Príncipe que no Prospecto já preparado, demonstrando a grandeza do negócio, perpassava um fulgor das Mil e uma noites. Mas sobretudo aquela escavação de esmeraldas convidava todo o espírito culto pela sua ação civilizadora. Era uma corrente de idéias ocidentais, invadindo, educando a Birmânia. Ele aceitara a direção por patriotismo...
-De resto é um negócio de jóias, de arte, de progresso, que deve ser feito, num mundo superior, entre amigos...
E do outro lado o terrível Efraim, passando a mão curta e grossa sobre a sua bela barba, mais frisada e negra que a dum Rei Assírio, afiançava o triunfo da empresa pelas grossas forças que nela entravam, os Nagayers, os Bolsans, os Saccart...
Jacinto franzia o nariz, enervado:
-Mas, ao menos, estão feitos os estudos? Já se provou que há esmeraldas?
Tanta ingenuidade exasperou Efraim:
-Esmeraldas! Está claro que há esmeraldas!... Há sempre esmeraldas desde que haja acionistas!
(Eça de Queirós, A cidade e as serras, 1901)

4. Em casa de Augusta, sobre uma mesa coberta por uma cerimoniosa toalha de rendas, estava o cadaverzinho da filha morta, todo enfeitado de flores, com um Cristo de latão à cabeceira e dois círios que ardiam tristemente. Alexandre, assentado a um canto da sala, com o rosto escondido nas mãos, chorava, aguardando o pêsame das visitas; fardara-se, só para isso, com o seu melhor uniforme, coitado! O enterro da pequenita foi feito à custa de Léonie, que apareceu às três da tarde, vestida de cetineta cor de creme, num carrinho dirigido por um cocheiro de calção de flanela branca e libré agaloada de ouro. O Miranda apresentou-se na estalagem logo pela manhã, o ar compungido, porém superior. Deu um ligeiro abraço em João Romão, falou-lhe em voz baixa, lamentando aquela catástrofe, mas felicitou-o porque tudo estava no seguro.
O vendeiro, com efeito, impressionado com a primeira tentativa de incêndio, tratara de segurar todas as suas propriedades; e, com tamanha inspiração o fez que, agora, em vez de lhe trazer o fogo prejuízo, até lhe deixaria lucros.
(Aluísio Azevedo, O Cortiço, 1890)

5.
VIII
O poeta
declina de toda responsabilidade
na marcha do mundo capitalista
e com suas palavras, intuições, símbolos e outras armas
promete ajudar
a destruí-lo
(Carlos Drummond de Andrade, Nosso Tempo, A rosa do povo, 1945)

6.
Uma outra globalização supõe uma mudança radical das condições atuais, de modo que a centralidade de todas as ações seja localizada no homem. Sem dúvida, essa desejada mudança apenas ocorrerá no fim do processo, durante o qual reajustamentos sucessivos se imporão.
Nas presentes circunstâncias, conforme já vimos, a centralidade é ocupada pelo dinheiro, em suas formas mais agressivas, um dinheiro em estado puro sustentado por uma informação ideológica, com a qual se encontra em simbiose. Daí a brutal distorção do sentido da vida em todas as suas dimensões, incluindo o trabalho e o lazer, e alcançando a valoração íntima de cada pessoa e a própria constituição do espaço geográfico. Com a prevalência do dinheiro em estado puro como motor primeiro e último das ações, o homem acaba por ser considerado m elemento residual. Dessa forma, o território, o Estado-nação e a solidariedade social também se tornam residuais.
(...)
A nova paisagem social resultaria do abandono e da superação do modelo atual e sua substituição por um outro, capaz de garantir para o maior número a satisfação das necessidades essenciais a uma vida humana digna, relegando a uma posição secundária necessidades fabricadas, impostas por meio da publicidade e do consumo conspícuo. Assim o interesse social suplantaria a atual precedência do interesse econômico e tanto levaria a uma nova agenda de investimentos como a uma nova hierarquia nos gastos público, empresariais e privados.
(Milton Santos, Por uma outra globalização, 2000)



7. Homem primata (1986)
Desde os primórdios
Até hoje em dia
O
homem ainda faz
O que o macaco fazia
Eu não trabalhava, eu não sabia
Que o homem criava e também destruía
Homem primata
Capitalismo selvagem
ô ô ô
Eu aprendi
A vida é um jogo
Cada um por si
E Deus contra todos
Você vai morrer e não vai pro céu
É bom aprender, a vida é cruel
Homem primata
Capitalismo selvagem
ô ô ô
Eu me perdi na selva de pedra
Eu me perdi, eu me perdi.
I'm a cave man
A yuong man
I fight with my hands
With my hands
I'm a jungle man, a monkey man
Concrete jungle!
Concrete jungle!
(Marcelo Fromer;Ciro Pessoa; Nando Reis; Sérgio Britto, Cabeça Dinossauro, 1986)


8.

Proposta:
Trabalhe sua dissertação a partir do seguinte recorte temático:
O capitalismo, como modo de produção e sistema ideológico, atrai para si visões antagônicas e permite leituras variadas de sua finalidade, seus meios e seus princípios.

Instruções:
·         Discuta o capitalismo como o modo de produção preponderante em nossos dias;
·         Argumente no sentido de mostrar a dualidade do capitalismo;
·         Explore tais argumentos de maneira a justificar sua adesão ou rejeição à ideologia capitalista.

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