sexta-feira, 30 de março de 2012

1º lugar: Valquíria, de Artur Carvalho Santos sob o pseudônimo de Supernova

Valquíria

Canto I – Paradoxo

Inócua abstração me toca, me move
Assonância de sensações provoca, ilumina
Etérea inspiração retoma e desatina
Sinestesia sincera esparrama e envolve.

Sangrar passivo amor do peito
Atenuar altruísmo triunfal
Que, por contraditório, o fez perfeito
Um legado, destino, herança banal.

Enfim, aprendo e ministro oxímoros
Cálida frieza, errante estrofe em beleza
Colmar infinito relevo por destreza.

Não sei d’onde vem, nem aonde vai
Agradeço, contudo, um mistério absoluto
Que reinou, intocável, em antítese e anacoluto.

Canto II – Noite

Vida, sinistra professora de melancolia;
Abismo arcaico, harpa de fundo
Inefável instante, corre-me o mundo,
Esvazia-se, areia poeril, à revelia.

Procuro a risada, busco um sorriso
Encontro-a calada, trêmula esfinge
Fuligem nos olhos, escarlate narciso
Enigma hipócrita e vermelho me cinge.

Narciso, acordai! Não vês que o procuram?
Pois se és enigma, se estás vil e noturno
Torna-te perspícuo, acessível, diurno.

Reinaste outrora em sinceridade e poesia
Que o extremo sono a calaste, duvido
Já enxergo sob a noite, espero, um ruído.

Canto III- Magnânime

Brado brancas brisas belas!
Enxergo, enfim, diáfano horizonte
Nova, longa e rígida ponte
Conduz-me ao mesmo mar das caravelas.

Acordaste, a curar a besta que sangra
A colher um vigor derramado
Pois o vermelho, instinto deflagra
Diamante bruto a ser lapidado.

Vi anjos caírem, estrelas cessarem
Sob tênue perseverança, esperei ansioso
Manto profundo, cego espectro ocioso.

Recompensado fui, porém,
Posto que, ao ver o dia se acabar, e a noite invadindo
Contemplei o crepúsculo; Era lindo.

2º lugar: O Ermitão, de Mateus Lima Veras sob o pseudônimo de Orpheus


O ermitão

No alto da torre ebúrnea, sem qualquer saída,
escreve, como se quisera arfar memórias.
Sob a luz do triste candeeiro, eis que histórias
esvanecem, aquecem, se esquecem da Vida...

Gélidas e pálidas e abertas feridas
lhe dão o aconchego desta Clausura inglória.
Inglórias lamúrias lamuriam vitórias
da vida que agora se fazia perdida

Um singelo silvo sibilante cingia
e enobrecia o coração do pobre homem,
já alegre da companhia que possuía.

E que outrem se importa? Ninguém, senão ninguém.
fosse o silvo realidade, sonho, magia
ao menos da sua miséria partilha alguém.

Guarulhos, 22 de agosto de 2011

3º lugar: Paterno, de Gabriel Fernandes sob o pseudônimo de Brás Domingues

Paterno

No que o Sono o alcançou
Amaro não deixou de relutar
Não queria dormir ali
Ali não era tal lugar

A Voz então o chamou
causando o que tentava acalmar
“Durma comigo meu filho,
que o amanhã demora a chegar”

Amaro não cedeu
não estava pronto para mudar
“Não quero dormir incompleto,
nem sei se o amanhã me encontrará”

A Mãe puxou-o para si
Escondendo com ele o chorar
“Então há de dormir sozinho meu filho
Há de se acostumar”

“Estava maior posto que estava só?”
Amaro e Cama puseram-se a perguntar
O frio cortou-lhe a resposta

A cabeça então pousou
No que chamou Desaconchego
O ombro não estava ali
Ali, não era o seu lugar

4º lugar: Tormenta, de Igor Lopes Jadão sob o pseudônimo de Álvares Campos

Tormenta

Os largos pingos d’água dançavam ante minha face. Tal qual a chuva, as idéias me vinham á mente como os riscos aos meus olhos: corriqueiros.Tão ariscos quanto os pensamentos que tornavam-me a cabeça, uns mais reluzentes outros mais apagados.
Enquanto chovia, vinham os vapores do vento á minha face, doces, amargos, curiosos, sublimes dos mais vários tipos.
Até então, esse era o meio pelo qual eu tentava matar meu tédio, mas a cada golpe meu, ele levantava-se, ria incansavelmente de mim e voltava a divertir-se ás custas da minha sanidade.
Todavia, subitamente, restringi-me apenas a uma das várias problemáticas que me perturbavam. Eis que surge a alvinitente figura de mulher, a qual eu sobrepus imensas expectativas e sentimentos, e, por tal, tornei-a cada vez mais pesada tê-la comigo ao arrastar dos anos.
Não via nada, não pensava em nada, apenas afogava-me em minha melancolia ao remoer os perversos erros que permeavam minha mente. Percebendo que estava embebido por minhas frustrações e falhas, tentava desesperadamente agarrar esperanças que meus olhos caçavam e que apenas minha mente via. Por não haver nenhum suporte, era tragado ao fundo do gélido e medonho redemoinho do caos, onde encontrei a besta que gerei por alguns anos de omissão e vergonha.
Observando meticulosamente, percebi que não era propriamente um monstro, mas sim meu âmago surrado pela opressão de meus deturpados valores, implorando a mim que o liberta-se das pungentes amarras do medo e da relutância em revelá-lo.
A cada vez que trago à mente sua imagem e a meu corpo sua presença, tento manter a face austera. Tento reagir normalmente à presença dela, porém corre-me ao rosto uma dolorosa lágrima d’alma, as mãos ficam suadas e medrosas, tento pegar a ilusão do passado possível... nego o erro permeado por minha cabeça. Cada olhar, cada lembrança, cada gesto, torna-se uma adaga de culpa que fustiga-me à agonizantes golpes, e o sangue de cada apunhalada dada pelos fantasmas de meu passado, verte de minhas pútrefes entranhas, revelando os motivos obscuros pelos quais o erro se fez.
O silêncio mudo, frio e perfeito em minha boca omite toda a vontade que o espírito desesperado quer revelar: incertezas, palpites, alegrias e paixões não reveladas. Ah sim... as paixões... todas aquelas que divertem-se às custas da minha sanidade, quantas delas não morreram em silêncio dentro de mim...Quantas delas se tornam uma breve esperança num mar de opulentas dúvidas e medos... Com sorte, talvez ache a cura de tal mazela.  Tal martírio poderia ser evitado por pequenas palavras. Que fosse uma frase minha, talvez ''sim'' ou um ''não'' por parte dela, mas não, em vez disso fiz pelo silêncio e pelo medo. Mas toda essa maré de raciocínios e torturas são escondidas artisticamente pela minha personalidade e pelo diáfano de minha carne.
A chuva já cessou, todavia a angústia e o caos em minha mente custam a fazê-lo. A finas doses, a garrafa do remorso despejou-se em mim, e construiu uma gélida crosta de insegurança em meu peito que pressiona meu coração, expulsando dele qualquer sentimento áureo que busque abrigo. No que deveria preenchê-lo restam apenas as lágrimas da covardia amargadas pelo meu silêncio.
Os gritos de minha essência se perfazem por abrasoadas lembranças que aludem àquela figura transcedental de cachos negros. Ah sim os olhos....duas pérolas negras sobrepostas á mais nobre escultura de carrara, tão negros, tão vítrios e tão imprevisíveis. Tal rosto esculpido a finos traços tornou-se a única imagem que esvai minha mente de qualquer pensamento, de modo que eu pudesse ficar ali contemplando-a indeterminadamente. Mais bela imagem não poderia ser desejada, o seu toque era suave, emudecedor e de um calento ímpar, parecia eu, (mais ainda) uma criança sem fôlego ante tal contato.
Mora ela do meu lado, tão perto, tão distante. Assim passo a ser apenas um admirador invisível aos olhos dela, olhando sem nunca poder tocá-la, em virtude dos grilhões da timidez, e do medo da recusa.

5º lugar: Ave da Sabedoria, de Veridianna Bessa Penhalber sob o pseudônimo de Curusa Sapere

Ave da Sabedoria

Cara coruja, minha coruja
Cara amiga, minha amada
Tu a amiga mais sábia
Me atendeu na hora em que sofria

Agora é minha vez,
Ó, ave da sabedoria
Não devia ter feito o que fez
Se entregar assim, quando seu povo sofria?

Tu és a essência da cultura,
A razão do viver dos amantes,
Amantes da arte, literatura
Da musica e até mesmo dos próprios amantes

Ao se entregar foi devorada,
Quem lhe devora dá uma resposta rápida,
Quem a digere domina
Há exemplo das metrópoles e das colônias

E assim os povos começam a competir,
Para ver quem irá melhor progredir,
E você, minha ave, sabedoria, agora
Esquecida e morta está, agora
Morta, no inverno que se tornou a alma humana.

Furacão de Livros, de Matheus Henrique Soares sob o pseudônimo de Mutatio Vandré

Furacão de Livros

Caminhando e cantando e seguindo a canção,
os melhores dos melhores assim seguem.
Juntos, em páginas e páginas unidos,
estudo-os, na esperança de sair
Desta caverna de trevas e aparências.
Sair para um mundo de luz, além das sombras.

Encontro um furacão em meu caminho
composto por rimas e quiasmos
quiasmos e rimas em um furacão

Números complexos em movimentos circulares variados
Uma cadeia de carbonos que prende os maiores vilões da Historia, Geografia e Português:
Hitler, o Socialismo e as oralidades.

Após passar por esse turbilhão, encontro-me em um caminho acidentado
e no meio do caminho tinha um teste
Jamais me esquecerei do teste de funções compostas
composto por funções
No meio do caminho tinha um teste

Chego, enfim, ao final da jornada, além de todos problemas enfrentados,
semelhantes ao círculos do inferno de Dante
Creio que muito aprendi com essa viagem
e tendo meu próximo destino o Céu,
surge uma sensação familiar, de insegurança, ao dar o primeiro passo.

Saudade, de Andressa D'Araújo Maia sob o pseudônimo de Sálua Farid

Saudade

Encontro-me pensando em você
Com olhos úmidos e coração apertado
Será isso o que chamam saudade?
Talvez seja apenas um mero pecado.

Não quero ter de esquecer os momentos
Pelos quais juntos passamos
Apenas quero aprender a lembrar sem dor
A felicidade de que tanto gozamos.

Um futuro ao meu lado, é o que diz querer
Além da morte, eu lhe respondo
É contigo que quero viver.

Mas a saudade está agora falecida,
Porque tu estás em meus braços,
Acalmando esta minha alma tão espairecida.

A Roseira, de Jorge Daniel Rebustine Filho sob o pseudônimo de Ed Barbosa

A Roseira

Navegando por altos mares,
Vi minha terra se distanciar,
Meus amores e filhos na terra deixar.

Minhas saudades deixei,
Para viver como outro alguém
Em uma terra de ninguém.

Vivendo e matando
Em nome do rei.
E diante de suas leis.

Com um novo amor,esbarrei.
E sobre novas rosas,
Nosso fruto plantei.

­Nossas rosas venderei,
E depois ocuparei,
Produzindo outros cem.

O público, privatizei
A sociedade, enganei,
E o meu povo, ignorei.

Com o poder não temi.
De minha força, usufrui,
E perante o rei, me institui.

O governo foi sempre assim,
A modo de muito resistir,
Já que a roseira, sempre estará ali.

O Apagão, de Leonardo Fujisima Yada sob o pseudônimo de Edson Bastos do Nascimento

O apagão

Já era noite quando a energia acabou,
Estavam pai e filho deitados na sala.
Conversando sobre a vida quando a TV ligou...
E desligou no piscar da casa.

Conversa vai, conversa vem
No compasso da eletricidade
Conversa de quem se entende
E se entende muito bem

Pai para filho,
Filho para pai,
Presença não medida.

Que dura por toda a vida
Que dura até o tempo que leva
Para a luz voltar.

Meu Lar, de Marina S. Marques sob o pseudônimo de Camila Soares

Meu lar

Em março as paineiras
Em julho as cerejeiras
E os ipês-rosa
Às margens do Baquirivu

Um dia começo a notar
Os sons do meu lar
Desde a leve ventania
Até os pássaros em cantoria

Também posso ouvir
A Dutra lá no fim
Mas vou apenas relaxar

Sem me preocupar
Pois estou no meu lar
Estou em Arujá

quarta-feira, 14 de março de 2012

Avançado de cinema - Ciclo África

Dentro da programação que fazemos para o ano letivo, nós professores sempre passamos pela dolorosa experiência de "cortar na carne" alguns assuntos muito importantes e que nos dariam muito gosto de desenvolver. Apesar de contrariados, somos obrigados a essa auto-mutilação, dada a profusão de tópicos obrigatórios a serem trabalhados nos 45 minutos de aula. É um pouco disso o que acontece quando falamos do continente africano. Diversos elementos históricos, geográficos, literários, sociológicos, antropológicos, enfim, humanos, deixam de receber um tratamento mais pormenorizado por absoluta falta de tempo.
O Avançado de Cinema, durante o ciclo que ora se inicia, tentará minimizar esse silêncio imposto pelo inflexível Chronos! Daremos voz ao vívido canto africano e ecoaremos seus anseios e conflitos em nossos debates pós-filmes.

Depois de descobrirmos um pouco mais sobre o Brasil, temos agora a chance de aprofundar nosso conhecimento sobre um continente e um povo que são uma das matrizes culturais de nosso país.

Há muita ideia boa por vir! Não deixem de vir vocês também!

Abraço!

Ps. Coloquei na nossa lista de links um interessante material didático produzido pela UNESCO. Trata-se de uma História Geral da África contada pelos próprios africanos. Ali temos um olhar despido dos conceitos e preconceitos europeus e americanos, de modo a nos oferecer informação "em primeira mão" sobre o grandioso continente.

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DIAMANTE DE SANGUE (2006)

Dia: 7 de março
Local: Anfiteatro
Horário: 15h

Serra Leoa, final da década de 90. O país está em plena guerra civil, com conflitos constantes entre o governo e a Força Unida Revolucionária (FUR). Quando uma tropa da FUR invade uma aldeia da etnia Mende, o pescador Solomon Vandy (Djimon Hounson) é separado de sua família, que consegue fugir. Solomon é levado a um campo de mineração de diamantes, onde é obrigado a trabalhar. Lá ele encontra um diamante cor-de-rosa, que tem cerca de 100 quilates. Solomon consegue escondê-lo em um pedaço de pano e o enterra, mas é descoberto
por um integrante da FUR. Neste exato momento ocorre um ataque do governo, que faz com que Solomon e vários dos presentes sejam presos. Ao chegar à cadeia lá está Danny Archer (Leonardo DiCaprio), um ex-mercenário nascido no Zimbábue que se dedica a contrabandear diamantes para a Libéria, de onde são vendidos a grandes corporações. Danny ouve um integrante da FUR acusar Solomon de ter escondido o diamante e se interessa pela história. Ao deixar a prisão Danny faz com que Solomon também saia, propondo-lhe um trato: que ele mostre onde o diamante está escondido, em troca de ajuda para que possa encontrar sua família. Solomon não acredita em Danny mas, sem saída, aceita o acordo.



UM GRITO DE LIBERDADE (1987)

Dia: 21 de março
Local: Anfiteatro
Horário: 15h

A tensão e o terror presentes na África do Sul durante a vigência do apartheid são vivamente retratados nesta arrebatadora história dirigida por Richard Attenborough sobre o ativista negro Stephen Biko (Denzel Washington) e um editor jornalístico branco liberal que arrisca a própria vida para levar a mensagem de Biko ao mundo. Depois de travar contato com os verdadeiros horrores do apartheid através dos olhos de Biko, o editor Donald Woods (Kevin Kline) descobre que o amigo foi silenciado pela polícia. Determinado a não deixar que a mensagem de Biko seja abafada, Woods empreende uma perigosa fuga da África do Sul para tentar levar a incrível história de  coragem de Biko para o mundo. A fascinante história real oferece um relato emocionante do ser humano em seu lado mais nefasto e mais heróico.
Avançado de Cinema – Ensino Médio – Ciclo África


O JARDINEIRO FIEL (2005)

Dia: 28 de março
Local: Anfiteatro
Horário: 15h

Ralph Fiennes ("O Paciente Inglês", "Dragão Vermelho") vive o britânico residente na África, Justin Quayle, diplomata por profissão e jardineiro por hobby. Quayle tem sua rotina alterada quando sua esposa é brutalmente assassinada. Decidido a investigar o que houve, ele descobre que o crime foi queima de arquivo, comandada por uma grande empresa farmacêutica que usa africanos como cobaias para testes de remédios contra tuberculose. "O Jardineiro Fiel" é uma adaptação do livro homônimo de John Le Carré, cujas histórias já originaram filmes como "O Alfaiate do Panamá" e "O Espião que Veio do Frio". No elenco dirigido por Fernando Meirelles estão outros nomes conhecidos como Rachel Weisz ("A Múmia", "Constantine"), Pete Postlethwaite ("Em Nome do Pai", "Os Suspeitos"), Danny Huston ("O Aviador") e Pernilla August (a mãe de Anakin nos episódios I e II da saga "Star Wars").



O ÚLTIMO REI DA ESCÓCIA (2006)

Dia: 4 de abril
Local: Anfiteatro
Horário: 15h

Nicholas Garrigan (James McAvoy) é um elegante médico escocês, que deixou recentemente a faculdade. Ele parte para Uganda em busca de aventura, romance e alegria, por poder ajudar um país que precisa muito de suas habilidades médicas. Logo após sua chegada Nicholas é levado ao local de um acidente bizarro, onde o líder recém-empossado do país Idi Amin (Forest Whitaker), atropelou uma vaca com seu Maserati. Nicholas consegue dominar a situação, o que impressiona Amin. Obcecado com a cultura e a história da Escócia, Amin se afeiçoa a Nicholas e lhe oferece a oportunidade de ser seu médico particular. Ele aceita a oferta, o que faz com que passe a frequentar o círculo interno de um dos mais terríveis ditadores da África.



quinta-feira, 8 de março de 2012

Orquestra Sinfônica do Estado de SP tocará ao vivo na sua casa!

Caros companheiros, entusiastas,
Sabendo que muitos de vocês também apreciam a música de concerto, repasso o seguinte convite.
Trata-se da abertura da temporada 2012 da OSESP (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), que será transmitida ao vivo pela internet! Como os ingressos para essa apresentação costumam acabar muito rápido, a internet será usada como uma espécie de extensão da Sala São Paulo, que acaba criando um camarote dentro da casa de cada amante de boa música.

Quem puder, aproveite!

Abraço!
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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Cinema, transição e identidade nacional

Caros,
É com grande prazer que publico hoje aqui um artigo do professor Hélio, amigo e companheiro de batalha.
Além da pertinência do tema (o texto produz uma análise comparativa entre Terra Estrangeira -que exibiremos nesta semana -  e Bye Bye Brasil - que fica como sugestão), o texto nos permite "ouvir" a cristalina voz do Hélio-escrito. Após um ano convivendo com os graves e incisivos comentários do Helião, temos aqui a chance de vê-lo desenvolver, sem interrupções, uma linha de raciocínio que busca apresentar a observação atenta da obra de arte sob a lâmpada incandescente do saber histórico.
Com seu artigo, a desfilar a toga de um gênero discursivo de cunho mais acadêmico, nosso amigo revela um som oculto (de baixa frequência, como ele diz no texto) e nos permite ouvir o ritmo do fado que nos foi imposto.
Sem mais delongas, vamos ao texto!

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Cinema, transição e identidade nacional:
Bye Bye Brasil e Terra Estrangeira
Por Hélio Moreti




-              Está vendo essa cadeira Paco? Isso não é uma cadeira. Este prato não é um prato, esta mesa não é  uma mesa. São vestígios. Isso! Vestígios de uma puta aventura; a maior aventura de todos os tempos; dos conquistadores, dos Aguirres dos Ezaguirres;  aventura da navegação, da colonização, da imigração. Todas as provas estão aqui, todas! É claro que não as grandes provas, porque o ouro já se foi há muito tempo e o diamante já está acabando. Estas são as pequenas provas. É o suor de gente comum. Você entende isso Paco?
-              Han han...
-              Você acha que as pessoas querem se lembrar disso?
-              Não? Por que não?
-              Porque a memória, Paco, foi se embora com os visionários e com o ouro, com os santos barrocos e com o Aleijadinho. Estamos a viver o império da mediocridade meu amigo; dos engarrafamentos em shopping centers, dessa falsa modernidade de janotas incultos, de leitores de Sidney Sheldon. É o fim do mundo, Paco, é o fim do mundo!

Fala do personagem Igor, em Terra Estrangeira

Este modesto artigo tem o propósito de analisar dois períodos distintos de nossa história sob a perspectiva da representação que o cinema nos oferece. O foco fundamental da discussão deverá ser a construção de identidades em momentos de transição, presente em dois filmes: Bye Bye Brasil e Terra Estrangeira . A proposta é decodificar essas duas narrativas, confrontando-as a partir de sua historicidade, levando em consideração o momento da produção dos filmes, os recursos utilizados, a proposta de país esboçada em cada um deles, assim como o impacto dessas produções no cenário artístico nacional e internacional.
Confrontar dois filmes de gêneros e tempos tão diferentes (Bye Bye Brasil é uma comédia dirigida por Carlos Diegues em 1978 e Terra Estrangeira é um drama dirigido por Walter Salles e Daniela Thomas em 1994) se justifica pela existência de um elo entre as duas narrativas: os dois filmes retratam o Brasil em momentos de transição, ou seja, em 1978 ao final da ditadura militar e em 1995 no desencanto do governo Collor e início do governo FHC.
Os filmes tratam de modos diferentes de exílio; um para o interior do próprio país, em busca de um sonho encoberto pela floresta amazônica, na cidade Altamira; outro na aventura alucinante de brasileiros em Portugal. Ao mesmo tempo são histórias de (re)descoberta de vários brasis que estão no subsolo (minérios),  que afloram de maneiras diferentes e revelam as perspectivas dos brasileiros a procura de uma nova identidade,  de um Brasil multifacetado, contraditório e estrangeiro. Nos dois casos a exploração de minérios, as entranhas do país, é feita por contrabandistas, que roubam essa alma, num processo de continuidade da colonização que ecoa surda, em baixa freqüência, por toda a história do Brasil. O subsolo que abriga as raízes oferece a possibilidade de desenraizamento, nas pedras de diamantes de Igor de Terra Estrangeira :
No filme em que Salles divide a direção com Daniela Thomas, traz as marcas de seu tempo. Tempo em que, possivelmente, era mais fácil entrever as contradições de um mundo cada vez mais integrado, mas com pessoas cada vez mais desenraizadas. Desenraizadas não de uma nacionalidade ou de outra (esse tipo de raíz que se imagina), mas da dignidade, da cidadania, e da relação com o outro. Em 1990, Collor e sua equipe econômica haviam acabado de confiscar a vida de milhões de brasileiros, para melhor se ‘integrar’ num sistema econômico mundializado.[1]
           
Na comédia de Bye Bye Brasil, o Lord Cigano carrega em si as marcas desse desenraizamento. Ao mesmo tempo que é um Lord, símbolo da nobreza inglesa e ironicamente lembra a  nobreza  ibérica, que  é a versão falida e bufa e que se instala no Brasil desde a colonização; e é cigano,  ou seja, a própria diáspora como estilo de vida. Os outros integrantes da Caranava Rolidei,[2], a “atriz caribenha” Salomé, que fala portunhol  e que na verdade é brasileira, costumava ser apresentada como a “mulher que foi amante de presidentes dos EUA”.E finalmente o improvável e fortíssimo Andorinha, ave de hábitos migratórios, outro símbolo da transitoriedade constante e que reforça a idéia do passageiro e do estrangeiro.
O emaranhado de identidades[3] assumidas e abandonadas no instante seguinte contribui para criar um ar picaresco para os personagens da caravana. Ao longo da trajetória dessa caravana são agregados dois personagens: Ciço, o sanfoneiro e Dasdô, sua esposa que espera um bebê. Os novos integrantes da caravana trazem para esse universo o desespero do retirante, que ao mesmo tempo foge da sua realidade e corre de encontro a ela. Como se buscasse fazer um inventário do modelo de Brasil Grande, a caravana cruza com tipos e situações que são testemunhas vivas da aberração pseudo-moderna em que foi transformado o país pós-ditadura. Imagens até certo ponto grotescas e esquemáticas, mas bastante contundentes, como o cacique usando um macacão da DNER, (como se a Transamazônica se estendesse inclusive sobre a população local) e que traz uma garrafa de Coca-Cola para a sua mãe, que por sua vez escuta um rádio a pilha e usa roupas de “civilizado”; ou dos cabarés precários que tocam boleros semi-eletrônicos, incrustados na vastidão de uma terra devastada pelo “progresso nacional”.O grande e constante confronto dessa trupe transitória é com a TV, que com suas antenas espinhas de peixe, rouba o público e reinventa um Brasil pasteurizado pelos sons da trilha de abertura da novela das oito.

 A fotografia de Lauro Escorel Filho em Bye Bye Brasil, carrega nas cores fortes e na nuance sépia da poeira,  a fantasia circense da Caravana Rolidei é emoldurada por cidades isoladas no sertão nordestino. Já a textura em preto e branco de Walter Carvalho apresenta em tom noir, um thriller policial entre as cidades de Lisboa e São Paulo. A vastidão do sertão e do mar são as malhas por onde o tempo das narrativas trafegam, em um eterno movimento migratório. Essa fuga de caráter existencial converge para a procura do sentido da vida do Brasil, dos brasileiros. Essa busca de mão dupla que cerca a identidade nacional e individual está presente em diversos momentos da história nacional e a relevância da análise desse tipo de narrativa está nessa quase eterna transição política no Brasil.



[1] Machado, Igor José de Renó  e Gustavo Adolfo Pedrosa Daltro Santos  in resenhas in http://www.comciencia.br/, dezembro de 2000
[2] Que depois muda para Rolidey. Nas falas finais de Lord Cigano: “- Rolidey tem ipissilône sanfoneiro. Como a gente era ignorante!” Essa passagem reforça de maneira caricata o processo de absorção da língua e da cultura estrangeira, apontando para um indício de mundialização presente em todo contexto de expansão do capitalismo.
[3] Sobre a discussão sobre identidade ver HALL, Stuart, A Identidade Cultural na Pós-modernidade, DP&A Ed., RJ, 2002 e Bhabha, Homi K. O Local da Cultura, UFMG Ed., BH, 1997

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Avançado de cinema começa o ano com filmes sobre o Brasil

Caros companheiros de jornada,
A caravela, hoje, deixa o porto! E não é a glória de mandar, nem a vã cobiça que nos impulsiona o peito em direção aos perigos do mar; antes, é a sede de saber e o desejo de conviver que nos coloca neste barco!
Nossa primeira missão já está dada: vamos descobrir o Brasil!
O caminho a trilhar para atingir esse objetivo vai a seguir.
Abraços!
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Avançado de Cinema – Ensino Médio – Ciclo Brasil


CIDADE DE DEUS (2002)

Dia: 1 de fevereiro
Local: Anfiteatro
Horário: 15h

Baseado em histórias reais, esta adaptação do romance de Paulo Lins é uma saga urbana que acompanha o crescimento do conjunto habitacional de Cidade de Deus, entre o fim dos anos 60 e o começo dos anos 80, pelo olhar de dois jovens que moram na comunidade: Buscapé, que sonha se tornar fotógrafo, e Dadinho, que toma um rumo diferente.
Cidade de Deus se passa em um único cenário, talvez o verdadeiro protagonista do filme: o conjunto habitacional de Cidade de Deus, zona oeste do Rio de Janeiro.
Dirigido por Fernando Meirelles, o filme recebeu quatro indicações para o Oscar, incluindo melhor diretor e melhor roteiro adaptado.

(Fonte: http://cidadededeus.globo.com/)




DOMÉSTICAS – O FILME (2001)

Dia: 8 de fevereiro
Local: Anfiteatro
Horário: 15h

No meio da nossa sociedade existe um Brasil notado por poucos. Um Brasil formado por pessoas que, apesar de morarem dentro de sua casa e fazerem parte de seu dia-a-dia, é como se não estivessem lá. Cinco das integrantes deste Brasil são mostradas em "Domésticas - O Filme": Cida, Roxane, Quitéria, Raimunda e Créo. Uma quer se casar; a outra é casada, mas sonha com um marido melhor. Uma sonha em ser artista de novela; outra acredita que tem por missão na Terra servir a Deus e à sua patroa. Elas têm sonhos distintos, mas vivem a mesma realidade: trabalhar como empregada doméstica.


(Fonte: http://www.adorocinema.com/filmes/domesticas/)


TERRA ESTRANGEIRA (1995)

Dia: 15 de fevereiro
Local: Anfiteatro
Horário: 15h

Em Terra Estrangeira vemos a história de Paco (Fernando Alves Pinto) e sua mãe (Laura Cardoso), que desejam conhecer a terra de seus antepassados. Sem dinheiro após o confisco promovido pelo então presidente Collor, Paco aceita levar um pacote misterioso a Portugal em troca do custeio da viagem. Após perder o pacote ele se encontra com Alex (Fernanda Torres), brasileira que trabalha como garçonete em Portugal e que vive com Miguel (Alexandre Borges), um músico-contrabandista viciado em heroína. Em fuga para a Espanha, Paco é perseguido por bandidos interessados no pacote.
Neste filme, os diretores Walter Salles e Daniela Thomas refletem sobre solidão e desenraizamento O caminho trilhado pelos personagens nos leva a fazer, de forma inversa, a rota dos portugueses que descobriram o Brasil.

(Fonte: http://www.comciencia.br/resenhas/terraest.htm e www.estadao.com.br)


CENTRAL DO BRASIL (1998)
Dia: 29 de fevereiro
Local: Anfiteatro
Horário: 15h

Dora (Fernanda Montenegro, indicada para o Oscar de melhor atriz por este filme) escreve cartas para analfabetos na Central do Brasil. Nos relatos que ela ouve e transcreve, surge um Brasil desconhecido e fascinante, um verdadeiro panorama da população migrante, que tenta manter os laços com os parentes e o passado.
 Uma das clientes de Dora é Ana, que vem escrever uma carta com seu filho, Josué (Vinícius de Oliveira), um garoto de nove anos, que sonha encontrar o pai que nunca conheceu. Na saída da estação, Ana é atropelada e Josué fica abandonado. Mesmo a contragosto, Dora acaba acolhendo o menino e envolvendo-se com ele. Termina por levar Josué para o interior do nordeste, à procura do pai.
À medida que vão entrando país adentro, estes dois personagens, tão diferentes, vão se aproximando... Começa então uma viagem fascinante ao coração do Brasil, à procura do pai desaparecido, e uma viagem profundamente emotiva ao coração de cada um dos personagens do filme. "Central do Brasil", dirigido por Walter Salles, ganhou o Urso de Ouro de melhor filme no 48º Festival Internacional de Cinema de Berlim. Foi a primeira vez que um filme brasileiro recebeu o prêmio máximo do festival alemão, um dos mais conceituados da indústria cinematográfica.
(Fonte: http://www.centraldobrasil.com.br/fr_sin_p.htm)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O eterno retorno

Da mesma forma que uma brisa leve é capaz de incandescer um fatigado braseiro, assim são esses primeiros dias de aula: revolvem o marasmo, arrancam a casca cinzenta do tédio e inflamam nossa alma para a ardente caminhada vindoura! Agora, cabe a cada um de nós soprar a plenos pulmões, de fôlego refeito pelas férias, a fim de incendiar nossos neurônios com a chama coruscante do saber!
Caros alunos, colegas professores, companheiros de batalha em geral: estamos de volta!
E este 2012 promete (não, não estou falando de algum tipo de profecia maia...)! Este ano promete porque vejo que muita gente se compromete com ele no presente! Além do nosso tradicional trabalho em sala de aula, vejo tomar corpo e força o Avançado de Cinema, o Concurso de Poesia, o Sarau, o Evento Cultural e o Festival de Música (sim! Há uma proposta bastante interessante para que retomemos o Festival! E precisaremos do comprometimento de vocês, alunos, para que a coisa toda aconteça).
Há muitas histórias a serem escritas nas páginas brancas de cada dia que está por vir! E todas elas começam no dia de hoje. Escrevamo-las de mãos dadas!

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Mãos dadas (Carlos Drummond de Andrade)

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
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Abraços a todos!